Deixa-me dormir em paz. Acorda-me só quando eu tiver descansado tudo, quando o meu corpo já não pedir descanso. Faz de conta que fiz muito no dia anterior e dá-me tréguas. Eu não sei o acto de contrição, nunca rezo o Pai Nosso, não visito as campas dos meus avós. Mas dá-me só um minuto de paz.
Deixa-me encontrar uma matriz na minha vida, algo a que eu possa dizer: “sim senhor, isto correu como planeei!”. Uma lufada de ar fresco, um atirar a toalha ao chão, um “basta” de viva voz, um pontapé na parede, umas quantas chapadas, de luva branca ou sem ela, mesmo.
Porque é que no dia em que tomei a hóstia não me explicaste, assim em jeito de resposta às minhas preces (podia ser baixinho, que eu não ia dizer a ninguém que me falaste a mim e aos outros não) que não estava liberta dos pecados do mundo? Que o mundo em si é o pecado de não se poder pecar porque este santo e aquele estão de olho e depois não temos uma nuvem no céu, quando formos para o céu, se formos.


